quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Filme Jackie, estrelado por Natalie Portman, humaniza a mulher por trás do mito

Filme Jackie Natalie Portman
Natalie Portman na cena do filme logo após a morte de John F. Kennedy.
Fonte: celebridades.uol.com.br

No último fim de semana, fui assistir Jackie, filme do diretor chileno Pedro Larraín sobre Jackeline Kennedy, a primeira-dama mais famosa da História, e que traz Natalie Portman, impecável, no papel principal.

Com roteiro de Darren Aronofsky (de Cisne Negro), o filme não tem a intenção de ser uma biografia e se concentra na vida de Jackie durante os dias seguintes à morte de seu marido, John F. Kennedy, mesclando a reprodução fiel da história real com cenas totalmente imaginadas pelo diretor (as mais íntimas).

No decorrer do filme, somos convidados a adentrar o universo emocional da primeira-dama e acompanhar de perto as angústias, tensões e medos vividos por ela. Ao mesmo tempo em que tenta encontrar uma maneira de lidar com o trauma brutal sofrido, Jackie se vê na urgência de resolver questões práticas relativas ao funeral do marido, a repercussão do acontecimento na mídia e sua necessária saída da Casa Branca, vislumbrando um futuro incerto pela frente para ela e os dois filhos.

Conhecidamente muito preocupada com sua imagem pública e a de sua família, em meio ao seu luto, Jackie ainda ocupa boa parte de seu tempo pensando em como fazer com que o povo americano tivesse melhor lembrança possível de seu marido e do legado Kennedy.

O filme tinha tudo para ser muito pesado, pois trata de morte, luto e pesar o tempo todo. Além disso, não apenas encara de frente a missão de reproduzir o trágico momento do assassinato, como o faz com riqueza de detalhes, apresentando-o sob diversos ângulos e trazendo-o de volta algumas vezes em flashbacks da primeira-dama. Mas a abordagem escolhida pelo diretor Pedro Larraín e a (sempre) impecável interpretação de Natalie Portman, deixam o filme bastante denso, porém nada repulsivo ou massante.

Filme Jackie Natalie Portman
O luto de Jackie.
Fonte: guiadasemana.com.br

Natalie se movimenta entre os diversos estados emocionais da recém-enlutada Jackie com maestria e sem cair na caricatura. Sou fã da atriz desde Cisne Negro. Acho incrível o seu jeito de atuar, que consegue ser profundo e intenso sem ser melodramático ou previsível.

Jackie é um filme que poderia ser monótono, mas prende a atenção do início ao fim. A postura da célebre viúva desperta os sentimentos de dignidade e admiração em diversos momentos. Como quando decide não seguir as recomendações de tirar prontamente o icônico tailleur Chanel manchado de sangue após o assassinato, usando-o dessa maneira durante todo o resto do dia e despindo-se dele só à noite, numa sequência de cenas emblemática.

E quando descreve em pormenores o momento da morte do presidente Kennedy, chegando a relatar ter tentado colocar de volta para dentro do crânio do marido, já morto em seu colo, os pedaços de massa encefálica espalhados pelos tiros na esperança de mantê-lo vivo e íntegro, a gente consegue ter uma noção do que Jackeline Kennedy passou e o esforço íntimo que deve ter feito ao longo dos anos seguintes para conseguir continuar vivendo com esta lembrança.

Sem dúvida, o maior mérito do filme está em, de certa forma, fazer justiça à memória de Jackie Kennedy, mostrando de perto todo o drama vivido intimamente pela mulher considerada um dos maiores ícones fashion do século XX e vista como fútil e superficial por tanto tempo. 
Vale muito a pena ver.

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