Muito tem se falado atualmente sobre as dificuldades que a geração millenial tem enfrentado para se tornar realmente independente.
Custo de vida alto, salários baixos, instabilidade profissional, entre outros fatores, podem explicar a permanência na casa dos pais até os 30, 40 anos. (Quem ficar até os 50, não vai mais sair, né? rs)
No meu caso, eu tenho exatamente 40 anos, completados no ano passado e ainda moro com a minha mãe. Não só eu, mas o meu irmão mais velho, de 42 anos, também.
Nós trabalhamos desde os 20 anos, dividimos as contas da casa e, inclusive, construímos com nosso dinheiro a maior parte do imóvel onde nós três moramos.
Nós claramente não somos dois encostados. Porém, mesmo assim, morar com a mãe até essa idade é como ser um eterno adolescente.
Aliás, acho que é um pouco pior, porque você paga boletos, mas não tem autonomia para decidir coisas básicas sobre a sua rotina.
Por que eu ainda moro com a minha mãe aos 40 anos?
Simplesmente porque eu não quis sair de casa antes para pagar aluguel. Sempre achei que aluguel é um dinheiro perdido. Então, fiquei até agora para guardar dinheiro para comprar a minha casa própria. O que eu finalmente consegui. Então, eu estou finalmente de saída.
Por isso eu fiz questão de vir aqui no blog deixar o meu relato sobre este assunto enquanto eu ainda estou aqui na casa da minha mãe. Queria deixar registrado para voltar aqui e ler depois, e também porque esse texto pode ajudar alguém que esteja passando pela mesma situação.
Como eu contei neste outro post, a minha mãe é narcisista. Então, eu já passei por momentos bem difíceis morando com ela. Mas já tem uns anos que a nossa convivência melhorou muito. Isso porque eu aprendi como não me deixar afetar pelo comportamento dela.
Mesmo assim, de vez em quando, eu me forço a relembrar tudo o que eu já passei. Para não esquecer quem ela realmente é e as coisas que ela já teve coragem de fazer comigo.
Todo adulto precisa sair da casa dos pais
Eu não me arrependo de não ter saído da casa da minha mãe antes. Isso porque eu tinha um foco: juntar dinheiro para comprar a minha casa e sair de uma vez, sem medo de ter que voltar porque não consegui pagar o aluguel.
E mesmo agora, eu poderia ficar se eu quisesse. Não tem ninguém me expulsando. Mas eu sinto que preciso ir. Não faz mais sentido para mim continuar vivendo da mesma forma a essa altura da vida.
Algumas coisas do dia a dia, que antes não me incomodavam (pelo menos não tanto), hoje em dia, enchem o saco... tipo:
2) Não poder lavar roupa na hora que eu quero, ou melhor, no único dia que eu tenho disponível, que é o sábado. Porque, mesmo usando o tanque só uma vez por semana, quase sempre eu o encontro ocupado.
3) Não conseguir ter uma alimentação mais saudável, com menos fritura, menos sal, menos óleo, menos carne vermelha... porque a gente precisa se adaptar ao gosto culinário da minha mãe.
4) "Ter que jantar", quando eu só queria comer uma bacia de pipoca, porque minha mãe faz um escândalo porque vai sobrar comida. (Isso, ainda bem, ela está parando de fazer.)
5) Não poder ter minhas plantas e minha horta. Sempre gostei de plantar, e inclusive puxei isso da minha mãe, mas não deu certo cuidar da horta e do jardim lá de casa junto com ela. Ela já chegou ao ponto de arrancar plantas que eu estava cuidando e dizer que tinha sido "sem querer".
6) Não poder decorar a casa do meu jeito. Até a cortina do meu quarto ela precisa escolher. E eu parei de me opor para evitar a fadiga...
7) Não poder ter uma rotina no meu ritmo, do meu jeito.
Eu quero ter o meu cantinho, decorar a casa do meu jeito, cozinhar o que eu quiser, fazer as coisas na hora que eu quiser...
E eu acho que todo adulto precisa sair da casa dos pais para realmente virar adulto. Isso é real. Por mais que eu seja uma mulher extremamente responsável, que sempre tem emprego e também empreende, que compra tudo o que quer com o próprio dinheiro, ajuda em casa, etc...
Eu só nunca defendi a ideia de que a pessoa precisa sair a qualquer custo, se esfolando toda para pagar o aluguel e apenas sobreviver só para "arrotar" independência.
Saia da forma que for melhor para você, com planejamento, reserva de emergência, condições reais de se manter. Mas saia.
Medo da solidão
Eu preciso confessar que não foi só a questão financeira de querer comprar a minha casa própria que me manteve na casa da minha mãe até hoje. O medo da solidão de morar sozinha também pesou.
Eu não tenho mais amigos nem namorado, então, ir morar sozinha significa perder a convivência diária com as duas pessoas mais próximas que eu tenho: minha mãe e meu irmão. E, durante muito tempo, eu questionei se valia a pena pagar esse preço para ser independente.
Mas hoje eu penso que, por todas as outras experiências que morar sozinha vai me trazer e eu ainda não vivi até hoje, sim, vai valer a pena. E, acima de tudo, é necessário para o meu amadurecimento.
Acho que esse medo da solidão que me fez permanecer na casa da minha mãe até hoje tem uma parcela de dependência emocional também. Hoje em dia, eu penso que, mesmo se a solidão pesar depois, eu preciso ir.
Estou muito ansiosa para começar essa nova fase da minha vida!








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