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Transição capilar I: minha 1° tentativa de abandonar a química

21:04:00

Minha primeira transição capilar

Desde que fiz o post em comemoração aos meus 2 anos sem químicas, me sinto devendo um outro falando de forma mais detalhada sobre a minha transição capilar, ou melhor, as minhas transições.

Isso mesmo, não ficou claro no outro post, mas eu passei pela transição 2 vezes. Pois é, eu encarei esse processo chato e cansativo mais de uma vez. Ao longo do texto, vocês vão entender porquê.

E, após muitos adiamentos, finalmente, nasceu este post onde eu conto um pouco da minha trajetória capilar e como foi a minha primeira transição. Eu ia falar das duas juntas, mas o texto estava ficando quilométrico. Então, achei melhor dividir e falar sobre a segunda, e definitiva, transição num próximo post.


A história do meu cabelo 


Acredito que minha história seja parecida com a de muitas outras crespas. Meu cabelo sempre foi um "problema" na minha vida. Quando eu era criança, a hora de lavar e / ou pentear era um sofrimento regado a muitas lágrimas. Só de vir minha mãe me chamando com o pente na mão, eu já abria o berreiro, mas ia assim mesmo, pois, se não fosse, seria pior, rs.

Por não conhecer a forma correta de cuidar do meu cabelo, ela costumava penteá-lo seco. E não era um pente de dentes largos que ela usava. Creme de pentear então, foi uma coisa que eu só conheci uns 20 anos depois. rs

Meu cabelo esteve natural durante praticamente toda a infância, pois minha mãe sempre achou que criança não devia usar químicas. Mas, eu era tão insatisfeita com meu cabelo e era tão sofrido cuidar dele que ela acabou cedendo e passou um creme relaxante nele quando eu tinha uns 7 anos, eu acho.

Ela escolheu um produto que fosse bem suave para não agredir muito. E ele era tão suave que praticamente não alterou meu cabelo. E eu fiquei muito frustrada!!

Depois disso, voltei a ficar anos sem químicas. Como alternativa "menos agressiva" minha mãe passou a alisar meu cabelo com pente quente toda semana. Como este tipo de pente era esquentado no fogão, não existia controle de temperatura. Então, o cheiro de cabelo tostado era parte do processo, orelhas e testa queimadas também. Passei um bom tempo nessa sofrência...

O cabelo preso era uma constante em minha vida. E, na única foto em
que ele aparece solto aqui era graças ao famoso pente quente. rs

Na adolescência, minha relação com o meu cabelo ficou ainda mais dramática. Usei praticamente todas as químicas disponíveis na época. Desde alisantes, como o Issy, a relaxantes, como o AmaciHair e henês, como o Rená pretão e o Divina Dama incolor. Sim, aquele de cozinhar em banho maria, ele mesmo. Só não usei progressiva porque ainda não existia. rs

A maioria dessas químicas era minha mãe mesma que passava no meu cabelo. Mas eu cheguei a ir a alguns salões. Aliás, minha experiência capilar mais traumática da adolescência (e da vida!) foi adquirida num salão.

Eu comprei um creme relaxante na A Nossa Drogaria, não lembro de qual marca era, mas o fato é que eu comprei lá e subi pra sobreloja da drogaria, onde funcionava o salão deles. Não sei se eles ainda fazem isso, mas, na época, se a gente comprasse o produto na drogaria, o serviço do salão saía por um preço simbólico.

Só que o simbólico saiu bem caro. Eu fiz o relaxamento e, aparentemente, correu tudo bem. Saí do salão feliz da vida balançando minhas madeixas recém-esticadas. Mas no DIA SEGUINTE, meu cabelo começou a cair INTEIRO. O fio quebrava bem rente à raiz e o comprimento saía inteiro na minha mão!! Foi terrível!! Eu chorava litros!!

No mesmo dia, minha mãe me levou ao salão novamente e mostrou o que estava acontecendo com meu cabelo. Mas não adiantou nada, eles deram uma explicação qualquer e ficou por isso mesmo.

Minha "sorte" foi que meu cabelo não caiu todo de uma só vez. Isso foi acontecendo aos poucos. Aí, ao longo dos meses, eu fui disfarçando, dando jeitinho...até poder partir para outra, ou seja, testar outra química.

Afinal, eu tinha que encontrar uma "solução" pro meu cabelo. Essa era a meta. Eu passei a adolescência inteira brigando com ele!! Esta fase da vida, que já é naturalmente complicada para todo mundo, para mim foi pior ainda por causa da minha eterna guerra com o espelho.

Quando a gente não tá bem com nosso cabelo, a gente se sente feia o tempo todo. E eu passava a vida me sentindo horrorosa!! Eu olhava pras meninas de cabelo liso e queria ser como elas. Eu chorava porque meu cabelo não era liso, chorava porque não conseguia encontrar uma solução pro meu cabelo.

Esse drama se arrastou por mais alguns anos após a adolescência. Mais precisamente até o 3° ano da faculdade (!). Nessa época, eu estava mais madura e já estava lidando bem com a ideia de não ter cabelo liso. rs E foi também nesse período que, após mais uma temporada usando henê, eu resolvi tentar o Beleza Natural.


Meu período no Beleza Natural

Eu já tinha ouvido falar do salão, mas não gostava da ideia de ter que encher meu cabelo de creme. Porém, eu não tinha mais tantas opções de químicas novas para testar, rs.

Então, resolvi tentar. Fui cheia de medo de ver meu cabelo cair mais uma vez, mas, graças a Deus, isso não aconteceu e eu saí do salão super feliz com o resultado. Eu finalmente podia usar o meu cabelo solto todos os dias e não só logo após a química ou enquanto ele não caía de novo. rs



Ao todo, acho que passei uns 6 anos relaxando o cabelo no Beleza. Mas, quando tinha uns 3 anos, eu já estava começando a ficar insatisfeita. Não gostava nem um pouco do tratamento que eu recebia lá nem do tempo que eu demorava para ser atendida. Eu pagava caro, perdia o dia todo lá dentro e ainda era tratada como um objeto numa linha de produção, passando de mão em mão. Um saco!

Fora o resultado do cabelo em si que não estava mais me agradando. Essa coisa de sair do lavatório com o cabelo esticado para depois tentar formar cachos à base de quilos de creme não tem muita lógica. Eram hoooras amassando o cabelo para poder formar algumas ondas!!

Além disso, eu sentia meu cabelo cada vez mais fino e ralo. Eu via as clientes mais antigas saírem do salão com o couro cabeludo aparecendo a quilômetros de distância e eu não queria isso para mim.

Não queria continuar fiel a um "tratamento" que ia minguando meu cabelo aos poucos. E, mais do que isso, eu queria me apropriar dos cuidados com ele. Não queria passar a vida inteira dependente de uma empresa. Eu queria ser livre.

Meu cabelo ficou com o comprimento estagnado durante praticamente todo o tempo que estive no Beleza. As pontas precisavam ser cortadas religiosamente a cada 3 meses, pois ficavam uma palha de tão espigadas! E olha que eu usava todos os produtos deles, inclusive as máscaras de tratamento, mas nada impedia isso.

Eu literalmente pagava para estragar o cabelo e depois pagava novamente para tentar recuperá-lo. Tudo no mesmo lugar. Que negócio lucrativo hein, Dona Zica!

Ao mesmo tempo, nesta época, estava começando a nascer aquela onda linda de aceitação do próprio cabelo. Eu via as primeiras meninas desfilando seus blacks por aí e morria de inveja da coragem e da liberdade delas. Mas eu ainda tinha muito preconceito com o meu próprio cabelo e, principalmente, eu tinha muito medo.

Medo da opinião da minha família, dos amigos, do pessoal do trabalho e, principalmente do meu patrão, que era claramente racista e já tinha falado mal de cabelos crespos na minha frente de propósito. Eu ainda era muito insegura, mas a insatisfação com o Beleza só aumentava, assim como a vontade de conhecer de verdade como era o meu cabelo.

Esses dois sentimentos foram crescendo dentro de mim e eu entrei num longo processo interno de questionamento e reflexão. Eu lia todos os blogs de crespas naturais na internet, devorava todas as dicas e depoimentos de quem já tinha assumido o cabelo natural.

Continuei relaxando por mais um tempo, mas dando mais espaço entre as idas ao salão e passava horas admirando e tocando minha raiz natural até que, finalmente, tomei a decisão de não relaxar mais o cabelo.


Minha primeira transição capilar

Mesmo ainda muito insegura em relação ao que viria depois, eu decidi começar a transição. No início, não comuniquei a ninguém, as pessoas foram percebendo conforme o tempo foi passando e meu cabelo foi ficando "diferente".

Minha mãe não gostou muito da ideia, mas, como eu já era bem crescidinha, ela não podia fazer nada a respeito a não ser mandar alguma indireta de vez em quando. É triste a gente não ter o apoio da própria mãe numa decisão como essa, ainda mais quando foi dela que a gente herdou o cabelo crespo. Mas eu não ia desistir por causa disso. E segui em frente.


Cuidados 

Durante a transição, eu comecei a adotar alguns cuidados que eu não tinha com o meu cabelo antes, como usar uma touca de tecido acetinado para dormir e fazer umectação com óleos vegetais toda semana.

Estas foram coisas que eu fui aprendendo lendo os blogs de meninas que já estavam naturais e que eu adotei como rotina pro resto da vida.

Sobre os produtos que eu usei eu vou falar no próximo post da 2° transição, acho que assim é melhor.

Texturização

Os meses foram passando e, quando a raiz natural começou a ficar muito alta, eu fiquei um tanto desesperada e sem saber o que fazer com as 2 texturas diferentes. Mais uma vez, pesquisei aqui pela internet o que eu poderia fazer para amenizar esse problema. E a opção de texturização com a qual eu me adaptei melhor foi o dedoliss.

Meu cabelo alguns dias após fazer dedoliss.

Para quem não conhece, dedoliss é uma técnica muito popular entre as crespas que consiste em enrolar pequenas mechas do cabelo com os dedos como se estivesse usando o babyliss, só que com o cabelo molhado e com creme.

Trabalhoso? Sim. E eu fiz isso após cada lavagem (2x por semana) durante vários meses. Eu estava decidida a abandonar a química, mas ainda me importava muito com a opinião alheia. E o dedoliss, foi o jeito que eu encontrei de diminuir o contraste entre as texturas diferentes e fazer com que minha transição passasse meio que despercebida. Puro engano, hoje eu sei. Mas, na época, eu acreditava estar disfarçando.


Eu me sentia bastante feia durante esta primeira transição, talvez por isso eu tenha registrado muito pouco esta fase, diferente da 2° transição, que fotografei bem mais o processo. Não gostava do aspecto visual que o dedoliss me proporcionava, mas eu não tinha muitas opções, queria esperar meu cabelo crescer o máximo possível antes de cortar toda a parte com química.


Big Chop

Eu não lembro ao certo quantos cortes eu fiz durante esta primeira transição, mas acho que foram 2 ou 3 antes do big chop. O primeiro eu fiz no Beleza, mas, como minha raiz já estava bem grande, a cabeleireira me olhou meio torto e quase se recusou a fazer o corte. 

Pelo menos na época, o Beleza NATURAL tinha muito preconceito com cabelo natural. Chega a ser irônico, rs. Por isso, quando a transição foi avançando, eu tratei de procurar outro lugar para cortar o cabelo nas próximas vezes.

E, aqui em Caxias, a opção que eu encontrei foi o Naturales, que é meio que um "filhote" do Beleza, pois a fundadora trabalhava com a Zica. Mas, apesar do parentesco entre os salões, o Naturales era bem mais aberto a lidar com crespos naturais e a cabeleireira que me atendia era super atenciosa e compreensiva. Fiz os demais cortes lá e também o tão temido big chop.

Eu passei a transição inteira morrendo de medo do grande corte. Eu não conseguia me imaginar com o cabelo joãozinho e fiquei muito apegada à parte com química, que já estava bem detonada. Eu tinha planejado ficar pelo menos 1 ano em transição pro meu cabelo crescer o máximo possível. E foi exatamente este o tempo que eu fiquei. 

Planejei o big chop para um fim de semana com feriadão para eu ter tempo de me acostumar com o novo cabelo antes de voltar a conviver em sociedade,rs. E então, fui super nervosa pro salão e cortei. 

A cabeleireira, apesar de legal, insistiu em cortar completamente as pontas com química e ainda um pouco da parte natural para acertar o corte. Para finalizar, ela encheu meu cabelo de creme e ficou amassando como se eu tivesse relaxado. Ficou uó, uma massa embolada e sem definição. Eu odiei tanto que nem tirei foto pós big chop

No dia seguinte, eu lavei o cabelo novamente e finalizei do meu jeito para ver se eu gostava, mas eu não conseguia me acostumar com ele tão curto, mesmo estando definido. Quando eu acordava e o via todo amassado e grudado na cabeça, então, eu odiava.

Eu realmente não estava pronta para assumir meu cabelo natural. Então, antes do fim do feriadão, eu fui ao Beleza e voltar a relaxar. Sim, eu desisti em menos de uma semana.

Mas não sinto vergonha nem arrependimento por esta minha atitude. Sempre vi com muita clareza que eu não estava pronta. Não era o momento. E eu retornei pra química com a esperança de ter um resultado diferente do que eu tinha antes. Eu acreditei que poderia atingir um meio termo e apenas "soltar" um pouco os cachos ao invés de esticá-los completamente como antes.




Durante algumas idas ao salão isso até funcionou. Mas, é muito difícil conseguir um resultado uniforme quando cada vez que você retorna ao salão você é atendida por uma pessoa diferente e, ainda que fosse a mesma, ela não conseguiria manter um padrão e nem eu queria que meu cabelo ficasse preso à uma funcionária de um salão.

Bom, vou encerrar este post por aqui, pois já está enorme e, no próximo, eu conto para vocês como foi o período após a primeira transição e como eu encarei a segunda. Até!


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4 comentários

  1. Muito legal seu relato, admito que antes de pensar em fazer o Beleza Natural pesquisei muito e vi muitos relatos como o seu, acabei desistindo de começar e deixei meu cabelo tal qual como ele é. A única quimica que uso são os hidratantes e shampoos, tenho amaaaado minha vida de cacheada, de verdade me descobri.

    Beijos
    La Rosa Blanca

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    Respostas
    1. Obrigada, Regiane. Que bom que você nem chegou a fazer o cabelo lá. Beleza natural de verdade é aquela que a gente já nasce com ela. Também estou amando finalmente estar com o cabelo livre de químicas. Não tem coisa melhor!
      Obrigada pela visita! Vou passar lá no teu blog.
      Bjos

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  2. Oi Tamara,
    Acho tão lindo o cabelo cacheado! todo mundo sofre com a transição, mas o resultado final sempre compensa.
    Bjs

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    Respostas
    1. Oi, Betty.
      Verdade, o período em transição não é nada fácil. Mas, realmente compensa! Me sinto bem melhor comigo mesma agora, após finalmente assumir meus cachos naturais!
      Obrigada pela visita.
      Bjos

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